Golpe do falso advogado: como funciona essa fraude e quem responde pelos prejuízos?

O golpe do falso advogado tem se tornado cada vez mais sofisticado e já fez inúmeras vítimas em todo o país. Aproveitando-se de informações constantes em processos judiciais, criminosos entram em contato com clientes, passam-se pelo advogado responsável pela causa e utilizam diferentes estratégias para convencer a vítima a realizar transferências bancárias ou fornecer dados pessoais.

A fraude tem chamado a atenção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que publicou orientações específicas para prevenir esse tipo de crime e auxiliar advogados e clientes na identificação das tentativas de golpe.

**1. Como o golpe funciona? **

Na maioria dos casos, o criminoso entra em contato por WhatsApp utilizando uma foto semelhante à do advogado ou do escritório. Em algumas situações, utiliza até mesmo o nome do profissional ou a logomarca do escritório para transmitir credibilidade.

O golpista informa que o processo foi encerrado ou que determinado valor está prestes a ser liberado e, para tornar a fraude mais convincente, costuma mencionar informações reais do processo, como o nome das partes, o número da ação ou a existência de uma decisão recente.

Em seguida, afirma que é necessário realizar um PIX para pagamento de custas, impostos, taxas cartorárias ou despesas administrativas para que o valor possa ser liberado.

Mais recentemente, os criminosos passaram a utilizar recursos ainda mais sofisticados, como ligações de vídeo, durante as quais tentam reforçar a falsa identidade do advogado, além do uso de inteligência artificial para simular voz e imagem, aumentando a sensação de autenticidade da comunicação. A própria OAB/SP alerta que os golpistas vêm aperfeiçoando constantemente suas técnicas, inclusive com o uso de novas tecnologias

**2. Como identificar uma tentativa de golpe? **

Alguns sinais merecem atenção:

• contato realizado por número diferente daquele normalmente utilizado pelo escritório;

• pedido de PIX ou qualquer pagamento para liberar valores do processo;

• solicitação de senhas, códigos de autenticação ou dados bancários;

• mensagens com tom de urgência, pressionando a vítima a realizar o pagamento imediatamente;

• ligações de vídeo inesperadas para "confirmar" a identidade do advogado;

• utilização de logotipos, fotografias ou linguagem semelhante à utilizada pelo escritório.

**3. O advogado responde pelos prejuízos? **

Em regra, não.

A utilização indevida do nome ou da imagem de um advogado por terceiros não gera, por si só, sua responsabilidade pelos danos sofridos pela vítima.

A responsabilização civil depende da demonstração dos requisitos previstos em lei, especialmente da existência de conduta, dano, nexo de causalidade e, quando aplicável, culpa.

Por essa razão, a própria OAB orienta que os escritórios informem previamente seus clientes sobre seus canais oficiais de comunicação e esclareçam que não solicitam pagamentos antecipados para liberação de valores judiciais. Essas medidas demonstram diligência e contribuem para prevenir fraudes.

**4. O que fazer ao receber esse tipo de mensagem? **

Caso receba um contato dessa natureza:

• não realize qualquer pagamento;

• interrompa a conversa imediatamente;

• confirme a informação pelos canais oficiais do seu advogado;

• preserve prints da conversa e dos números utilizados;

• caso tenha havido pagamento, registre boletim de ocorrência e comunique imediatamente a instituição financeira.

**5. A prevenção continua sendo a melhor proteção **

Os criminosos aperfeiçoam constantemente suas estratégias. Por isso, sempre desconfie de contatos inesperados envolvendo processos judiciais, especialmente quando houver pedido de pagamento urgente ou fornecimento de dados pessoais.

Na dúvida, a orientação é simples: entre em contato diretamente com seu advogado pelos canais que você já conhece antes de realizar qualquer transferência.

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