O número de pedidos de Recuperação Judicial no agronegócio bateu recorde nos últimos anos, e o crescimento não é resultado de um único fator.
Na prática, o setor passou a enfrentar uma combinação de pressão financeira, aumento do custo do crédito e insegurança econômica.
Entre os principais motivos estão:
**EVENTOS CLIMÁTICOS EXTREMOS **
Secas, enchentes e oscilações climáticas impactaram diretamente a produtividade e o fluxo de caixa de produtores e empresas do setor.
**ALTA DOS JUROS **
O aumento da taxa Selic elevou significativamente o custo do financiamento rural e dificultou renegociações bancárias.
**OSCILAÇÃO DAS COMMODITIES **
A queda ou volatilidade dos preços internacionais reduziu margens de lucro e comprometeu planejamentos financeiros.
**ENDIVIDAMENTO COM CPRs E GARANTIAS **
Muitas operações foram estruturadas com elevado nível de alavancagem, especialmente via CPRs, barter e crédito privado.
**RESTRIÇÃO DE CRÉDITO **
Instituições financeiras e fornecedores passaram a endurecer concessões e renegociações, pressionando ainda mais o caixa das empresas rurais.
E O QUE A LEGISLAÇÃO TEM A VER COM ISSO?
Após as alterações promovidas pela Lei nº 14.112/2020, a Recuperação Judicial passou a oferecer mecanismos mais eficientes de negociação e reorganização empresarial.
Além disso, decisões recentes do STJ consolidaram maior segurança jurídica para o produtor rural que exerce atividade empresarial regular.
O resultado é um movimento crescente de utilização da RJ como ferramenta de reestruturação — e não apenas como medida extrema.
Mas atenção: Recuperação Judicial não resolve problemas de gestão por si só.
Sem planejamento financeiro, transparência documental e estratégia jurídica adequada, o risco de insucesso permanece elevado. O cenário exige cada vez mais atuação preventiva e estratégica.
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